14.6.14

Demon days - El mañana

Tenho que admitir algo. Faz um tempo que já tive essa epifania e me mantive numa luta constante contra ela, mas ela vem se mostrando real a cada dia que passa.
         Eu vivo um mundo de fantasia, de ilusão.

Uma ilusão muito bem construída, tão bem construída que eu demorei tanto pra perceber que era apenas ilusões criadas pela minha própria mente numa tentativa frustrada de me proteger de vontades suicidas presentes no meu passado. Mas eu já sei que não vou me matar, não tão cedo. Minha curiosidade sobre a vida me impede de me matar. E graças a essa certeza que foi construída recentemente eu consegui enxergar toda a ilusão que me cerca. Tudo que eu vejo no mundo é uma ilusão. Todos os sinais, todas as atitudes, todos as conversas...Todas modificadas por essa ilusão. Ninguém tem real interesse no que se passa na minha mente, ninguém jamais vai realmente se interessar. Não consigo ser interessante. Não consigo ser agradável, não consigo ser amável, não consigo ser lembrado. Todas minhas atitudes são ruins, é a minha natureza. Ninguém consegue se manter muito tempo por perto sem se machucar. Mas NÃO NA MINHA ILUSÃO! Nessa linda ilusão, as pessoas gostam de mim, as pessoas me procuram, as pessoas querem saber o que se passa, e olhe só que pretensioso, as pessoas me amam.

O mais impactante foi perceber como tudo foi criado pela minha mente. Voltar no passado e rever todos os momentos que tive deis que me conheço por gente e perceber como eu me proibia de ver a verdade mudando a realidade só para não desistir do meu sofrido processo de "socialização". Porque se eu consegui-se ver a verdade, se eu percebe-se que minha presença não era nada para os outros, eu teria largado de mão tudo, sem pensar duas vezes. Conseguia viver bem sozinho e meu maior temor era envolvimento com seres humanos por serem tão complicados e impulsivos. Mas já passou tempo de mais, o estrago já foi feito. Não consigo mais viver sozinho, nem sei mais o que é ser sozinho como era antes.

Toda essa epifania causou um bom dano a minha mente, é verdade. Foi um belo furacão que bagunçou mais ainda minha mente já confusa. Mas dos destroços e destruição eu pude ver o que estava escondido por debaixo de toda essa "fortaleza" que era minha mente e a ilusão criada por ela. Agora consigo enxergar como sou usado, e sou basicamente isso. Um instrumento. Todos usam da forma que precisam e não se importam, porque afinal de contas um instrumento foi feito pra ser usado e ponto final. Ninguém pensa duas vezes antes de bater uma martelo, ele foi feito pra isso. E essa é a visão que todos tem de mim, sem exceção. Me usam sem pensar duas vezes, sem se preocupar com qualquer estrago que possa ser feito, porque afinal de contas existem varias martelos no mundo.

Eu uma vez ouvi uma historia interessante, e não deixar de notar como ela se encaixa perfeitamente nessa situação e explica exatamente o que acontece daqui a pra frente.
 É uma historia sobre um menino que foi pra guerra cedo de mais. Por ser tão novo ele foi destinado a ser o "recarregador", ou seja, o cara que anda pra lá e pra cá com munição dando reserva para todos os que estavam sem durante a guerra. No começo da guerra o menino estava animado, sentia que seu cargo era importante e que devia cumprir com seu dever. Com o passar dos dias da guerra, ele foi percebendo como os outros o tratavam mal, por considerarem ele um inútil. Para os soldados, o jovem não era nada mais do que uma ferramenta que eles tinham o poder de usar sem medo. Após algumas semanas de guerra, o menino percebeu que não queria mais aquilo, não nascera pra simplesmente ser usado pelos outros. Preferia estar vivendo uma vida calma, em um lugar longe afasto de tudo. E foi isso que fez. Sem avisar a ninguém ele sumiu e foi viver sua vida.

Pois bem, se a historia termina-se aqui... Mas não termina. Existem os detalhes que dão cor e beleza a esse final épico. O menino foi embora sim, mas sem saber que esse dia seria o dia mais intenso da guerra toda. O que aconteceu com o menino? Nada! Ele foi embora e viveu feliz a vida simples dele. O que aconteceu com os soldados? Pois bem, todos foram pegos de surpresa pela força inimiga lançando um ataque massivo contra eles. Não era uma estrategia boa, eles estavam bem armados e tinham munição de sobra, mas o general inimigo estava desesperado e resolveu aplicar medidas extremas. O ataque foi feito, os soldados descarregaram suas armas sem pudor. Ao ver que seu recarregador não aparecera, o desespero tomou seus corações. Era o fim da guerra.


Estou esperando o fim da guerra.