7.8.14

O pensar

Estou aqui para escrever sobre um conto que surgiu na minha mente;
Hoje acordei com uma cerveja ao meu lado.


Um certo lobo tinha uma ideia fixa na mente. "Eu preciso sobreviver".
Ele sabia que não pertencia a nenhuma alcateia, pois não conseguiria se encaixar em nenhuma. Era muito fraco e não aceitava isso. Passou uma boa parte de sua vida tentando se incluir no mundo dos lobos que viviam unidos, mas era muito diferente destes. Pensava diferente, agia diferente. Quando finalmente se deu conta de que não existia nenhuma alcateia no mundo que o aceita-se, resolveu procurar qual era o sentido da sua vida. Tinha sido criado de forma a achar que o objetivo de vida de qualquer lobo era se encaixar em alguma alcateia e dar continuidade a mesma da melhor forma possivel. Se não pertencia a nenhuma, qual era o sentido de viver então? Começou então uma busca incessante pela resposta a sua pergunta.
Atravessou mundos e enfrentou os piores climas. A cada dia que se passava, mais a certeza de que a vida não tinha sentido se confortava na sua mente. A vida se resumia a relações entre os seres que via. Percebeu então o quão banal era o fato de viver. Era simples. Caçar, comer, cagar, dormir e morrer; A vida era uma longa e incessante busca pela morte. Qualquer tipo de busca de um motivo parar viver se resumia a morte. Morrer melhor. Foram-se anos.

O lobo perdido, com fome, ferido e cansado finalmente percebeu que iria morrer. O prazer que isso lhe deu foi tão grande que não conseguiu morrer. Seu corpo reagiu contra a sua vontade. O desespero tomou conta de sua mente. Começou a correr, correr sem parar. Não sabia pra onde ia nem o que fazia. Só conseguia correr. Algumas horas depois desmaiou. Ao acordar reparou um grupo de outros lobos cuidando dele. Não sabia onde estava nem quanto tempo havia se passado. Tentou se levantar e não conseguiu. Suas patas estavam e carne viva. Olhou ao seu redor e reparou que conhecia essa alcateia. Conhecia por ter sido exatamente a primeira a lhe expulsar. O que devia ser um momento de alegria rapidamente se tornou de tristeza. Eles não estavam ali pra ajuda-lo, estavam ali pra impedir-lo de estragar toda a imagem que se construiu sobre os lobos. Um lobo fraco, abatido, e perdido no meio do nada, não era uma boa imagem para a raça. Desmaiou.

Ao acordar de novo estava em outro lugar. Aquela alcateia continuava lhe carregando junto com eles. Queriam garantir que sobrevivesse, mesmo que de forma miserável. Passou os próximos dias parado, imóvel. Apenas analisando o seu redor. No 3º dia percebeu aquilo mudaria o resto da sua vida.

Nenhum lobo pensa.

Nenhum lobo precisa pensar. A felicidade deles está em não pensar. Não existia uma alcateia solida, não existia a garantia de nada. Era o a pensar, o único a refletir sobre a vida. E ao fazer isso, era excluído de todas as alcateias. Ele era um risco para elas. Ele era uma doença.

Um sorriso se esboçou em seu rosto. Uivou o mais alto que podia e se matou.

  -No dia seguinte, a imagem que se formará era perfeita. O lobo em questão, estava lá, vivendo na alcateia. Todos vivendo como um só organismo. Nenhum pensamento mais existiu. O equilíbrio reinou novamente. A paz voltou.

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